segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Acorrentada!

ACORRENTADA!!! É assim que se sente... 


Evita olhar o espelho, já sabe o que ele dirá... Se sente morta, dói o coração, dói a consciência, dói todo seu ser!


Sabe que se olhar para o espelho acabará se machucando ainda mais... as correntes que lhe prendem ao passado nunca afrouxam, pelo contrário, cada dia apertam mais... principalmente quando a menina teima em fugir...
Dores psicossomáticas já tomam conta de seu corpo... um dia dor de cabeça, outro febre, e por aí em diante! 

E o espelho acusa as causas, porém não dá  resoluções... dialogar consigo mesma é algo trabalhoso, mais complicado que resolver cálculos matemáticos! 

E o que dói mais: dores físicas ou emocionais?
Dói mais ser ferido por uma faca ou por uma palavra?

O espelho sente-se culpado, por vezes emudece para não magoar ainda mais a menina de olhos tristes e sorriso amarelo no rosto...

Quem a vê passar até pensa que é feliz... sorri para fazer feliz, mas não é feliz... dá seu sorriso para aqueles que estão tristes e nada pede em troca.

Na verdade, ver a felicidade alheia a faz feliz por milésimos de segundos e isso vale a pena... 

Como um animal acorrentado, admira a liberdade daqueles que passam livres... está acorrentada ao passado, à tristeza... tem medo de perder as esperanças de um dia ser livre e isso é o que mais a faz sofrer... pelo menos tem seu "amigo" espelho, que nunca a deixa se enganar ou mesmo se iludir...


Lílian Mota


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